segunda-feira, 8 de outubro de 2012

60


(não fui convidada para escrever neste blogue, vim cá dar por alguma razão, como em tudo na minha vida, encontro sempre uma razão para tudo, desde as atrocidades a tão boas alegrias da vida. Perceber para além de.
Aqui fará sentido.)

Pensava como seria aos 60, estava agora com 40, via-se a meio de um livro escrito. Não cogitava se estaria bem ou mal lavrado, sua bíblia redigida era uma catástrofe de alegrias e mais umas avalanches  de tristezas oprimidas. Como seria aos 60...
Apagou a luz do pequeno candeeiro de quarto, e a escuridão era clara, o coração bateu em compasso nervoso e a cabeça iniciou a fervura de uma panela de pressão. Enrolou-se aos lençóis que depressa iriam aquecer e falou baixinho, “como vou eu amar?, como vou eu amar??? deita-te comigo medo, mas não me contes mais mentiras, fica somente aqui perto, encaixa-te no meu corpo, bem sabes que não sei viver sem ti, não sei viver sem ti... mas não me ampares porque não será desta a minha queda, não vês? Estamos nesta cama, e tu estás agora envolto neste corpo por amar.”
E o medo respondeu-lhe,  “não consigo fazer-te amar, se a mim que sou o teu medo me fizeres acreditar. Aqui, no escuro, este reino e domínio é meu, se bem queres, aqui consigo fazer-te desejar, aqui no sombrio tenho o poder de a ninguém desprezar. Fecha os meus olhos e eu verei esse teu querer, este que te sinto agora neste abraço que sufoca. Conto-te que o amanhecer virá, dar-te-ei o que julgas certo, na que será claridade pardacenta. E na boa luminosidade nunca desistas desse lutar, desse saber se se sabe amar. Depois desistirei de ti e de te aconchegar, como agora, com a nova luz  quase a chegar. Pois tão cedo eu não vou voltar, nestas últimas horas de luar. Shiuuu o sol vai raiar e eu vou fazer-te sossegar.”
.
 
(Da mesma forma que não fui convidada não convidarei ninguém para aqui postar, mas vou fazer publicidade no meu blogue e espero que algum dos meus seguidores me ofereça tal sorriso, o de saber que alguém continuou. Desejo-vos.)
Vossa, ©@bra

4 comentários:

Filipe Verissimo disse...

Aos 60 ainda não sei ! mas aos 20 não tinha medos pensava eu que seria imortal.Aos 40 realmente aprende-se s ter medo, das pessoas que partem sem dizer adeus.Sou assolado por momentos nostálgicos,olho a noite com respeito, abraço os meus medos com pensamentos longicuos.Medo? Tenho de perder,mas não de me perder, ainda jogo tudo ao alto por algo que acredite ou algo que mexa com o meu interior.Saber ter medo é respeito pela vida,é saber lidar com o pior deles a MORTE.Mas o melhor é : fazer sempre o que tiver medo de fazer!Silencio......O sol está ai,quem partiu está lá em cima a comtemplar os meus medos....Bom dia !Medos ? tenho e ainda bem.Um beijo do tamanho do Sol a ti Bianca !

GANDALF disse...

Tento viver um dia de cada vêz,sem pensar muito no amanhã,a vida deixa de ter sentido se a ensombrarmos com pensamentos cinzentos.
Ha que amar cada momento e cada pessoa que passa pela nossa cvida e que nos traz algo de positivo e alegre,especialmente aquelas que nos conseguem fazer sorrir.

beijo :o)

P.S.Adorei a participação quem sabe se vai continuar vivo :o)

Maria disse...

adorei.
excelente peça musical a acompanhar.

Moi disse...

Música fantástica!
Gostei muito do texto!



beijo