terça-feira, 25 de dezembro de 2012

61


Beija-me...
Beija-me apaixonadamente... longamente... demoradamente... sofregamente... sem pensar no tempo em que as nossas línguas se demoram enroladas uma na outra, esquecendo o tempo que os ponteiros do relógio fazem andar... beija-me, como se o dia terminasse agora, para todo o sempre. Beija cada pedaço do meu corpo degustado em cada recanto molhado da minha boca... perde a razão, a vergonha e invade cada parte do meu ser através desse beijo longo... demorado... como se apenas os lábios e a língua pudessem gemer baixinho e em silêncio o quanto gosto de ti... Beija-me com paixão e ternura, como os beijos de cinema dos filmes românticos, onde o sentimento consegue falar sem ruído... Aperta-me entre os teus braços, enquanto a boca se enamora da minha boca quente, lasciva, atrevida... beija-me como quem parte numa viagem à descoberta, sem bagagem nem retorno, inventando a estrada enquanto avanças, fazendo tremer alma de emoção... deixa que guarde no céu, as estrelas que me fazes ver quando me beijas... beija-me de olhos fechados, como se o beijo jamais terminasse, e o meu corpo se tornasse extensão do teu, e se misture no gosto desse beijo... beija-me... como se fosse a primeira vez, com aquele nervoso miudinho do desconhecido, com aquele frio no estômago de não saber como vai ser... beija-me, como se fosse uma fruta doce e madura à espera de ser chupada, te lambuzando num boquilíngua interminável, saciando esta sede que tenho de ti... beija-me com volúpia de quem me devora pelos lábios... beija-me até me tirares o fôlego, matando a saudade que o teu desejo deixa em mim, ficando um quero mais... beija-me... perdidamente... loucamente...
Beijo-te...





(não fui convidada, vim aqui parar por intermédio da nossa Cabra Branca, e resolvi participar, por achar o desafio interessante vou deixar aqui nomeada uma pessoa que fará um contributo - Opusdesiderium)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

60


(não fui convidada para escrever neste blogue, vim cá dar por alguma razão, como em tudo na minha vida, encontro sempre uma razão para tudo, desde as atrocidades a tão boas alegrias da vida. Perceber para além de.
Aqui fará sentido.)

Pensava como seria aos 60, estava agora com 40, via-se a meio de um livro escrito. Não cogitava se estaria bem ou mal lavrado, sua bíblia redigida era uma catástrofe de alegrias e mais umas avalanches  de tristezas oprimidas. Como seria aos 60...
Apagou a luz do pequeno candeeiro de quarto, e a escuridão era clara, o coração bateu em compasso nervoso e a cabeça iniciou a fervura de uma panela de pressão. Enrolou-se aos lençóis que depressa iriam aquecer e falou baixinho, “como vou eu amar?, como vou eu amar??? deita-te comigo medo, mas não me contes mais mentiras, fica somente aqui perto, encaixa-te no meu corpo, bem sabes que não sei viver sem ti, não sei viver sem ti... mas não me ampares porque não será desta a minha queda, não vês? Estamos nesta cama, e tu estás agora envolto neste corpo por amar.”
E o medo respondeu-lhe,  “não consigo fazer-te amar, se a mim que sou o teu medo me fizeres acreditar. Aqui, no escuro, este reino e domínio é meu, se bem queres, aqui consigo fazer-te desejar, aqui no sombrio tenho o poder de a ninguém desprezar. Fecha os meus olhos e eu verei esse teu querer, este que te sinto agora neste abraço que sufoca. Conto-te que o amanhecer virá, dar-te-ei o que julgas certo, na que será claridade pardacenta. E na boa luminosidade nunca desistas desse lutar, desse saber se se sabe amar. Depois desistirei de ti e de te aconchegar, como agora, com a nova luz  quase a chegar. Pois tão cedo eu não vou voltar, nestas últimas horas de luar. Shiuuu o sol vai raiar e eu vou fazer-te sossegar.”
.
 
(Da mesma forma que não fui convidada não convidarei ninguém para aqui postar, mas vou fazer publicidade no meu blogue e espero que algum dos meus seguidores me ofereça tal sorriso, o de saber que alguém continuou. Desejo-vos.)
Vossa, ©@bra

sábado, 15 de novembro de 2008

59


Sabes sempre que acordo,(ha ja uns tempos),que sinto a tua falta,falta da tua cumplicidade,do teu sorriso,e até do teu ar de "amuada"que embora raro,tinha o seu encanto.
Sei que também não és feliz o que ainda me deixa mais triste,porque houve uma altura na nossa vida que o riso e a alegria era uma constante,e a troca do nosso olhar trazia tudo o que era necessario para a nossa realização.
Sei que tudo não passou de más escolhas ou nos dois momentos em que podemos caminhar juntos,algo fez com que as nossas escolhas nunca fossem as que desejamos,nestes caminhos opostos que escolhemos percorrer,nunca nos perdemos de vista,apenas tomamos opções diferentes e pelos vistos não as mais certas.
Partiste para sul,com as ilusões de uma vida melhor e mais feliz,eu por aqui fiquei,hipnotizado pelas futilidade,inebriado pela noite que sempre adorei rodeado de pessoas que sempre me avisas-te que iriam um dia partir e que ai a solidão me iria visitar,não quis acreditar,outro erro.
Anos depois vieste ao meu pensamento,e procurei-te para encontrar em ti o que tinha perdido,e encontrei-te infeliz e magoada,não comigo,mas com as opção que tinhas tomado e que te tinham deixado condicionada para sempre,outro erro.
Trocamos frases,falamos de coisas que podiam ser diferentes,apoiamo-nos sempre que algo acontece e precisamos de ouvir uma voz cumplice e que conhecemos como a nossa,mas NUNCA,mais estivemos juntos,nunca mais nos tocamos ou sentimos o cheiro um do outro,ou apenas mesmo som real das palavras que queremos dizer,ou ate um olhar nos olhos um do outro.
Estamos há anos a "fugir",um do outro,sabemos intimamente que apenas um acaso nos fara encontrar,por muito que tenhamos ja dito que um dia havemos de beber um simples café,isso nunca ira acontecer,ficou para traz algo que nunca podemos perdoar a nós proprios.
Sei que nunca iras ler o que aqui escrevi,não faz mal,nem foi com a intenção que lesses que o escrevi,foi apenas uma forma de exorcitar a minha parte de culpa,pois sei que a tive.
Foi nestes espaços que redescobri o meu prazer de escrever,o que sinto e o que me vai na alma,sempre me expliquei melhor a escrever do que a falar,sempre soube exprimir mais fundo os meus sentimentos através das letras do que em actos ou gestos,e tu sempre o soubeste não me pedindo palavras desnecessarias ou gestos;porque esses vinham nas palavras que te escrevia ou no olhar que trocavamos,por isso te amava.
Tenho que agradecer a quem me trouxe aqui,por varias pequenas coisas estás a ser uma pessoa que é importante para mim,a tua amizade é algo de enorme valor que vou preservar bem perto de mim,e tambem nunca te vi.
Quero partilhar esta minha oportunidade que me dão em "oferecer" este espaço a alguem,contigo,porque acho que também iras sentir o quanto agradavel e compensador foi aqui escrever apenas uma vêz,mas também porque sem nunca nos termos visto soubemos confiar um no outro.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

58


Penso no momento em que te vi pela primeira vez e naquele aperto no coração...
Estava um caco...Nada parecia correr bem e tudo se avizinhava para ficar pior ainda.
Nos meses que se passaram depois passaste a ser elemento fundamental na minha vida.

Desde pequena sempre fui demasiado ligada às coisas...aos momentos...às pessoas...demasiado presa àquilo que num momento me fez sorrir, sonhar, brilhar...

Oiço a chuva cair lá fora. O cheiro a terra molhada transporta-me para outras paragens, eis encontrada a minha máquina do tempo, a essência que me faz alucinar...
Penso nas pessoas que nos últimos tempos me têm dado motivo para voltar a sorrir.
Penso na jóia que recebi de presente e na luz que trouxe com ela para a minha vida.

Graças a ela encontrei um lugar só meu, onde posso extrapolar, gritar, enlouquecer, amar e ser amada, retribuir o carinho que me dão e dar tudo o que tenho dentro de mim e que por ser tão grande me sufoca e me oprime.

A ti eco, dei-te a responsabilidade de me ouvires e acompanhares horas sem fim, num pranto onde não há obrigações, religiões, sanções...apenas emoções...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

57


Pela janela do escritório vejo um velho prédio devoluto.
Nas suas janelas escalavradas, dois pombos dançam, indiferentes ao salitre que os anos depositaram na parede e às feridas que os elementos escavaram na fachada. Perco-me no corrupio das plúmbeas penas e no seu terno arrulhar (que não ouço, mas adivinho) e a minha mente divaga.
No mais feio dos cenários, duas vidas evoluem. Indiferentes à poluição e ao som dos carros, e ao reboliço louco da cidade, duas vidas se entrelaçam e fazem ornitológicas juras. Duas vidas se transformam, sem contexto e sem paisagem, centrando-se apenas no essencial. Tudo feio e sujo em volta, e os pombinhos encontram o mood certo. Entregam-se naturalmente, na sua redoma idílica, artificialmente criada. E inclinam a cabeça em reverencial apreço.
Desvio o olhar, para não os incomodar...

Regresso ao meu lugar pensando que não deve ser de todo mau ser um pombo...

Fragrâncias de tempos passados povoam a minha mente, e num sorriso se esfumam. Olho para o céu e antevejo a lua prateada , a quem irei confiar minhas penas, mais logo, quando o céu se cobrir de negro.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

56


Basta ler os jornais para nos apercebermos de injustiças por todo o lado. Estas injustiças tornam-se particularmente chatas quando noto que me afectam de alguma forma.

É a escalada dos juros que se paga pela casa, é a manipulação descarada dos preços da gasolina, a justiça que condena em pouco tempo um jove desconhecido (não, não fui eu) que fez o download duma música mas se arrasta quando estão envolvidas figuras públicas, enfim, poderia estar aqui o dia todo a enumerar situações mas não me apetece.

Mas ontem foi o balde de água que fez transbordar o copo da minha paciência: uma situação para a qual reclamo a intervenção imediata de todos os órgãos de soberania, tal o escândalo que se desenrola à vista de todos: falo da cartelização do preço das castanhas!

É que, de um dia para o outro, surgiram em Lisboa, de forma coordenada, os carrinhos de castanhas. Todos aqueles por que eu passei ostentavam a mesma folha A4, resguardada por uma mica, com a mensagem “uma dúzia 2 €”. Onde pára a livre concorrência? Nem um único carrinho a fazer descontos caso uma das castanhas saia queimada? Ou a cobrar um extra caso venha com bicho (pelo acréscimo de nutrientes)? E onde está a plaquinha a dizer “este estabelecimento tem livro de reclamações”, caso eu não goste do teor das notícias do jornal que enrola as castanhas?

Que me esvaziem a conta bancária, que me neguem o acesso a uma justiça célere, que me entupam a televisão com programas da tanga, mas não castanhizem a minha vida! Pela liberalização do preço das castanhas, marchar, marchar! Vá, marcha tu também!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

55


Histórias de vida...

6h da manhã, abro um olho,
depois outro, espreguiço-me,
aconchego-me, deixo-me ficar.
Lá fora a noite "morreu",
nasce o dia com a minha preguiça,
saboreio os momentos de silêncio e não pensamento.
Ao meu lado o sussurrar do sono inocente,
sinto-o no silêncio do meu pensamento.
Os sons da vida, chamam-me à razão,
desvanece-se a languidão dos corpos,
quero deixar-me ficar...
ficar e saborear!
Envolvida, nos lençóis do nascer do dia,
do silêncio, do sono inocente,
do querer saborear
o tempo que brinca com os raios de sol que espreitam pelas frestas das janelas
- "é uma injustiça esta vida"...
Oiço ao meu lado,
com um espreguiçar
um aconchegar,
um saborear este momento do silêncio e não pensamento!
...com os meus sobrinhos(as) que amo!


Recebi com muito carinho e aí vai, uma mão cheia dele!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

54


respondo à tua chamada
tenho o tempo a meu favor
e espero que o bom tempo me traga
com tempo estas palavras

cristalinas como água
que juntas constroem pontes
arquitecturas do momento
com tijolos e cimento
pinturas de cores aos montes
desvairadas, loucas em rima
que ao pensador pedem obra prima

às vezes pingam secas
pisadas, espalham-se pelo chão
perdidas em espaços de solidão
grãos de silêncio na corrente
vão, secretas e minúsculas
engalfinhadas umas nas outras
partem soltas na torrente

outras vêm do vento em pensamento
tufões delas do sentimento
desarrumadas em fila
mas as vadias
não me obedecem
e a todos se oferecem
cada um(a) que as leia, como prefira.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

53

Deste-me tempo...Agradeço-te!
vou tentar não o desperdiçar pois é valioso hoje em dia
e o vosso, de quem me lê aqui, também os será com toda a certeza

Há um tempo de reflexões para dar mais um passo
Uma vez disseram-me que a linha da vida não é recta, ou sobe ou desce
na inércia não fica, nem mesmo quando hesitamos

Necessito de tempo mas falta-me tempo para o necessitar
por vezes não o gasto como devia, ou melhor gasto-o não o aproveito
para subir ou descer não interessa (de preferência subir claro)
e ao ter este tempo para escrever dei-me conta que o devo aproveitar
aproveitar para dar mais um passo, pois na inércia não fico
gosto demasiado da vida para gastar o tempo que ainda tenho
(muito, espero eu)

e uma das coisas que faço ao aproveitar a vida
é ter o prazer de te ler

e por isso te chamo

Dejame vivir - Chambao and Jarabe be Palo

terça-feira, 16 de setembro de 2008

52

E um dia temos de parar.

E mudar.

O quê, não sei.

Mas temos. E devemos.

Para quê? Também não sei.

Avançar.

É aquela coisa do tempo. Do tempo para isto, do tempo para aquilo.

Das coisas que começam, que duram e que depois acabam.

Do tempo que todos falam, mas que ninguém liga.

Só ele.

Só o tempo, liga ao tempo que passa.

Só ele se dá conta.

Nós não.

E quando damos, é quase sempre tarde.

Acabou.



E agora dou-te este tempo a ti.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

51

..."Trago-te debaixo da minha pele.Apanhaste-me desprevenido.Atingiste-me o coração, pecado meu. E agora é tarde para tudo senão para escrever. O teu coração tão branco a bater perto de mim. Embora o não ouvisse sei que estava lá."...
Pedro Paixão, "Ladrão de Fogo"

navego. o Mar é o meu segundo elemento. gosto dele infinitamente. preciso de o sentir por perto, de o ouvir, de o cheirar. sem ele a minha vida fica mais vazia e a minha cabeça mais longe, dispersa, sem rumo.

navego. descubro que existe vida a circular em espaços não visíveis. navego num mar de nomes, de pessoas, que como eu navegam no seu silêncio, na busca de palavras suas e de outros.

navego. descubro espaços onde gosto de me sentar a ler. a pensar. a fazer sala sem ter sido convidada.

navego. neste mar descarrego pensamentos e ansiedades. desejo não perder as minhas palavras e poder continuar a escrever e a ser lida.

navego e descubro. E aí vai ele!...Patti

domingo, 8 de junho de 2008

50

Têm-me dito que o Mundo perde a cor à medida que crescemos. Que os vermelhos dos fins de tarde inconscientes e os azuis das manhãs adiadas se esbateriam no cinzento do dever. Que as escolhas da vida adulta envolveriam a nossa criança interior com um manto denso e opaco de fatalismo.

Têm-me dito muita coisa.

Que o Sol não é mais que uma fornalha atómica gigante, que a música não é mais que um jogo de frequências que só o nosso cérebro consegue descodificar, que o apreciar do nosso prato favorito ou, pasme-se, o sentir-se apaixonado, não são mais do que flutuações da nossa bioquímica interior.

Pois se crescer significa aprender eu quero. Mas se crescer acarreta esquecer, então deixem-me ficar com o Sol como mago dos céus, com a música como fantasia, com a bioquímica interior como o festim dos sentidos. Deixem-me evitar racionalizar quando assim o desejar.

Têm-me dito que há um mundo desencantado e triste lá fora.

A essas pessoas mandá-las-ei à fava. E depois apaixonar-me-ei como um adolescente, rir-me-ei na cara delas. E também tu podes fazê-lo. Pega no teu sorriso contagiante, veste-te de bolinhas da cabeça aos pés, canta e dança à chuva. O que quiseres.

E vamos deixá-los bradar ao vento.
Nota: por intervenção (quase) divina, o Aí Vai Ele é desviado para a Vekiki.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

49

Culpada Senhor Juíz.

Depois de uma pausa mmuuuiiittttooooo prolongada, aí vai ele!

Peço desculpa por ter mais uma vez deixado para amanhã o que poderia ter feito hoje. Mas de alguma forma parece que aquilo que é realmente importante acabo sempre por conseguir adiar, enquanto que as pequenices do dia-a-dia, essas não, têm de ficar feitas JÁ! Eu sou assim...

Lavar a roupa (que nem é muita), reciclar papel (que pode ser reciclado para a semana), apagar aqueles e-mails spam que conspurcam a minha caixa de entrada... tudo isso é para AGORA.

Mas escrever finalmente aquele relatório que não tem deadline, responder a um e-mail de um amigo que há muito não vejo, falar com a minha mãe e dizer-lhe que tenho saudades... tudo isso é ADIÁVEL. Até que chegue o dia em que é tarde demais.. e aí?! Não penso que seja má pessoa por isso, creio até que este comportamento é perfeitamente humano. Mas ainda assim fico triste por perceber o quão me faltam as forças para fazer tanta coisa importante HOJE, porque AMANHÃ pode mesmo já ser tarde demais.

Por isso envio este blog para alguém que conseguirá perceber o que digo, e que esperançosamente não irá adiar. Assim como eu, ele consegue ver o Sol por detrás das Rainclouds.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

48

Este já vem atrasado. Mas não é culpa minha. O relógio que tenho é diferente. Marca só o tempo que passo contigo... e, por isso, avança sempre muito devagar. Como disse, não é culpa minha. Por mim, avançava já esta noite. Contigo a tocar à campainha para irmos comer um gelado. Parece tão simples, não é? Pensando melhor, se calhar também é culpa minha... mas não muda nada. Toda a gente diz que vai passar. Como este blog, que passa sempre de mão em mão, sem parar. Agora da minha para a da Cathy. É só dar tempo ao tempo, vais ver - dizem eles. Só que ninguém sabe que o meu tempo demora tanto a passar...

domingo, 20 de abril de 2008

47

Eu sempre me caracterizei por ser muito pouco orgulhosa e por ser simples (se calhar às vezes até demais).

Sou como sou, tenho o que tenho e o que quero ou não quero guardo para mim. Não vou dizer que me contento com pouco mas também não preciso de muito.

Mas às vezes olho à minha volta e vejo muita gente que não é assim.

Vejo pessoas fúteis. Pessoas a viverem de ostentações, de acharem que o custa muitos zeros é que é bom (mesmo não tendo assim tantas posses para isso). E parece que vivem naquele mundo.
Naquele e no mundo que acham ser o melhor. Porque o que têm, o que fizeram, o que fazem e que querem a curto prazo ter (ainda que na realidade vá demorar muito) é o que toda a gente queria (mesmo que não seja) e acham-se os maiores.

E essas pessoas acham que são as melhores e poucas críticas aceitam, vivem num mundo estranho, por eles criado, porque na realidade são extremamente frágeis e fracos. E muito.

Mas aquele é o disfarce que encontraram para se mostrarem melhores e superiores ou para tentarem ser pelo menos.

Quem quer acredita, quem não quer não acredita. Eu acho que as máscaras quando muito só devem ser usadas no Carnaval. Mas há quem queira ter um todos os dias.

Eu prefiro ter um mundo verdadeiro e real.

E como real que acho, passo o blog para a minha Kellygirl.

terça-feira, 11 de março de 2008

46

Pauso-te em reticências.
O chão é diferente. O telhado também.
Gostas de pintura realista, eu vou mais pela surrealista ou até mesmo... abstracta.
Gosto do teu nome. Do teu cheiro. Mas aquilo que gosto mais é aquilo que não sei. Não me deixes sabê-lo. Isso é a salvação.
Prende-me em caracteres. Dá-me cheiros e sabores, sorrisos e interrogações. Mas não te iludas, não queiras ter ar que escapa entre os dedos, que muda ao sabor da rosa dos ventos. Não o podes controlar.
Não sejas frágil ao ponto de acreditares que sim.
O sol põe-se e nasce, os ventos e as marés mudam... mas podem não voltar.
Entendes?
[risos]
46
4+6=10 (números... momentos meus e de mais ninguém)
4x6=24 (sorrisos... oferecidos a alguém por dia)
46:2=23 (almost there)
4 vidas perdidas contrapostas a 6 sonhadas
[risos]
Não entendes não é?
Num casulo existem sempre metamorfoses.
46 para ti, um infinito para tantos outros.

Intervenção da responsabilidade do Alf: Como não gosto de te ver parado, segue para a Girstie. Se ela te quiser...

sexta-feira, 7 de março de 2008

45

Primeiro peço desculpa pelo atraso da publicação deste post... Não foi minha intenção demorar a faze-lo pois acredito que quanto mais rápido correm as coisas, mais intensas se tornam...

(cigarro)

Um blog que é de todos e não é de ninguém, agrada-me a ideia... Vejo-a como uma busca sedenta de partilha do desconhecido, daquele desconhecido que ansiamos que seja como nós, uma busca de mentes e subconscientes iguais às nossas, no fundo procurar sentir alívio por saber que não somos os únicos a pensar de tal forma. Como é bom quando nos envolvemos e deixamos levar pelas palavras de outrém e no fim sorrimos porque estamos a sentir que aquelas palavras poderiam muito bem ser as nossas...

(cigarro)

Igual a mim próprio, não me contento com um post! Um post? Então só tenho uma oportunidade de escrever? Não consigo, desejo ter sempre mais e sinto que apenas um post não chega para dizer o que quero, o que sinto. Preciso de mais, de muito mais, preciso duma eternidade reflectida nuns instantes, preciso de dar a volta ao mundo sem sequer sair do lugar para poder ter a percepção daquilo sobre que quero escrever... Penso e volto a pensar quando no fundo não passarei de um desconhecido que ficará conhecido neste espaço como o "45"

(cigarro)

Um menino, não um simples menino mas um menino... Porém um menino que não se decide, que se vê como alguém que chega aquela rotunda com imensas saídas e não sabe por qual seguir, ao invés disso prefere sentar-se a observar todas elas, a estudá-las, a pensar qual será a melhor... Enquanto isso passam pessoas, seres, nele cresce um turbilhão de sensações, de sentimentos, estes confundem-se com a agonia de não se conseguir decidir. De repente pára, repara naquela boneca de porcelana. Hummm parece fechada num casulo de borboleta... Estranho!!! Decide gritar... Pode ser que o oiça... Bem, afinal talvez se deva sentir feliz... Antes num cubiculo mágico do que num casulo de borboleta...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

44

A minha mesinha de cabeceira é simples. Tem os meus livros empilhados de forma desalinhada. Tem um porta-retratos vermelho vivo com a minha foto a preto e branco. Tem a minha caneta e o meu caderno preto que andam sempre comigo. Tem um palhaço de porcelana que os meus pais me trouxeram de uma qualquer viagem. Tem um mealheiro em forma de vaca que me foi oferecido no Natal e ao qual nunca dei uso. Eu disse que era simples a minha mesinha de cabeceira? Nunca gostei daquela foto a preto e branco... gosto mais dela a cores, mas nunca a consegui mudar. Tenho também o meu amuleto que me acompanha há mais de 15 anos...

Ela:"Aceitas o desafio?"
Ele:"..."

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

43

Não percebo como me passam para as mãos um blog destes. Irresponsabilidade.
Tenho 23 anos e uma média de duas frases por post. E agora pede-me para escrever aqui.
Diz ela que me ofereceu um blog no meu aniversário. Que foi original.
O tanas. Coincidência, foi o que foi.

Sinto-me como quando tinha 12 anos e lia na missa aqueles textos dos quais não sei o nome. Subia lá para cima, ficava em bicos de pés e dizia com uma voz aldrabada, como quem quer parecer já gente crescida: "Carta de São Paulo aos Filisteus."
Agora estou outra vez a querer parecer gente crescida. Não consigo enganar ninguém e não sei o que estou a dizer.

Um dia este blog vai entrar num livro de recordes qualquer e
eu vou gabar-me disso.

Era uma vez um post, o 44º. Pela Helena.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

42

ELA

ela.
ela tem e não quer. ela quer e não tem. ela vai mas volta.
ela vai ter com quem?
ela ama alguém?
ela.
ela ia mas não foi. ela quis já não quer. ela teve já não tem.
ela ama mas quem?
ela teve alguém?
ela.
ela canta e ninguém ouve. ela escreve e ninguém lê. ela chora e ninguém sente.
ela tem mas quem?
ela é alguém?
ela.
ela viu já não vê. ela esteve já não está. ela foi já não volta.
ela é mas quem?
ela quis alguém?
ela.
ela ama. ela tem. ela é. ela quer. alguém.

quem é ela? ela és tu. e eu sou quem?

---

e aí vai ele... todo vaidoso... da abox para o eremitta